Nos anos 80, embora ainda fosse criança, lembro-me dos adultos de 30 ou 40 anos dizerem que as polainas e roupas coloridas, sintetizadores e afins eram muito legais e tal, mas não eram nem de longe algo tão bom, revolucionário e inovador como aquilo que havia sido feito vinte anos antes. O velho Raul até cantava que os anos 80 eram uma charrete sem condutor.
O fato é que os jovens daquela década em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, estavam experimentando uma tal liberdade recém-conquistada pelos seus pais e por eles próprios. Então tinha mesmo uma alegria no ar. As coisas não precisavam mais ser carrancudas e panfletárias nem paz e amor demais, afinal a geração hippie estava morrendo de Aids.
Hoje, vemos festas temáticas dos anos 80. Mensagens nostálgicas pela internet, feiras de brinquedos e discos, vídeo-games, enfim, uma infinidade de coisas que nos levam de volta à década das polainas e do gel New Wave. Alguns podem dizer que isso acontece porque o que se tem hoje em termos de inovação artística é péssimo, então temos que voltar ao passado. Outros dizem que aquele foi um período bom demais e somente hoje temos maturidade para entender o que realmente aconteceu lá, então estamos back to the 80’s. E tem ainda aqueles que dizem que isso é normal, que é um lance cíclico e estamos sempre buscando referências e cultuando duas décadas anteriores.
Aí eu fiquei pensando no que irão dizer daqui vinte anos sobre a música popular atual. Bem, se o funk carioca (que não é só carioca, não quero ser injusta com o povo do Rio) e o que chamam de Black voltarem às paradas em 2029 e disserem que a música da época é péssima e que, portanto, precisam recorrer ao passado, gostaria de estar surda daqui a vinte anos. Ou, sabe-se lá o que será considerado péssimo em 2029! Se o funk for bom, talvez o ruim seja ótimo! Se disserem que a primeira década no século XXI voltou à tona porque as pessoas não estavam prontas para entende-la em 2009, então obrigada Deus por eu ser assim burrinha e ter neofobia. E, na pior das hipóteses, se isso for mesmo um movimento natural, eu farei de tudo para romper com essa ordem da história. Ou também posso ir para outro planeta.
Mas, tudo isso foi para dizer que a grande massa dos filhos daqueles que não precisaram lutar por liberdade não é livre coisa nenhuma. Não sabe nada e bate palma.
Terça-feira, 7 de Julho de 2009
Quinta-feira, 18 de Junho de 2009
É lindo, e não dá pra publicar só um trechinho
Se eu fosse eu
Quando eu não sei onde guardei um papel importante e a procura revela-se inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu", que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar, diria melhor SENTIR. E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser LOCOMOVIDA do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas e mudavam inteiramente de vida. Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua, porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei. Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo que é meu e confiaria o futuro ao futuro. "Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido. No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teriamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando, porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais.
Clarisse Lispector
Será que alguém consegue ser verdadeiramente aquilo que é o tempo todo? Afinal, alguém sabe aquilo que é verdadeiramente?
Terça-feira, 26 de Maio de 2009
Palavras não ditas
O estresse faz com que digamos e que não queríamos dizer.
O estresse dos outros faz com que ouçamos o que não queríamos ouvir.
A falta de amor próprio faz com que escutemos caladas o que era melhor não escutar.
O amor exagerado faz com que não falemos aquilo que estava prestes a sair da nossa boca.
O estresse dos outros faz com que ouçamos o que não queríamos ouvir.
A falta de amor próprio faz com que escutemos caladas o que era melhor não escutar.
O amor exagerado faz com que não falemos aquilo que estava prestes a sair da nossa boca.
Domingo, 17 de Maio de 2009
Domingo, 3 de Maio de 2009
Céu
Ela observava tudo sufocada por um céu de um cinza imenso. Mas passou a entrar luz aqui e ali, e um outro céu, agora azul, foi aparecendo por detrás daquele cinza. Agora, é tanta luz e sol e azul que ela já nem consegue dormir. De olhos arregalados, deita-se fascinada pelas esrelas e a espera da claridade da nova manhã. Claridade que agora é certa e seu céu só voltará a ser cinza quando vier aquela chuvinha gostosa. Para depois se abrir de novo, trazendo um arco-íris de presente.
Quinta-feira, 26 de Março de 2009
Snif
...And then they stole the sun from my heart. Yes, maybe I already knew. Maybe I have always known. That was just so good to be true...What alse can I do?
Domingo, 15 de Março de 2009
A reforma e a criatividade
Ando sem ideias...acho que a falta do acento está fazendo muita diferença para a minha criatividade. Ideia sem acento? Imagina! Fica capenga...aí não consigo ter ideias. Só idéias...
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